" A História é êmula do tempo, repositório dos fatos, testemunha do passado, exemplo do presente, advertência do futuro." ( Miguel de Cervantes )

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A inconfidência Mineira.

No ano de 1789, um grupo de poetas, profissionais liberais, mineradores, e, também, a elite intelectual e econômica da região (fazendeiros e grandes comerciantes), juntaram forças para se opor a Portugal. Os inconfidentes, como ficaram conhecidos, queriam a independência do Brasil e instaurar a República. Pretendiam incentivar as manufaturas, proibidas desde 1785, e fundar uma universidade em Vila Rica, atual Ouro Preto.
Entre os conspiradores estavam Inácio José de Alvarenga Peixoto, ex-ouvidor de São João del Rey; Cláudio Manoel da Costa, poeta e jurista; tenente-coronel Francisco Freire de Andrada; Tomás Antônio Gonzaga, português, poeta, jurista e ouvidor de Vila Rica; José Álvares Maciel, estudante de Química em Coimbra que, junto com Joaquim José Maia, procura o apoio do presidente americano Thomas Jefferson; Francisco Antônio de Oliveira, José Lopes de Oliveira, Domingos Vidal Barbosa, Salvador Amaral Gurgel, o cônego Luís Vieira da Silva; os padres Manoel Rodrigues da Costa, José de Oliveira Rolim e Carlos Toledo; e o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
O momento escolhido para a eclosão da revolta foi a cobrança da derrama, imposto adotado por Portugal no período de declínio da mineração do ouro. A derrama tinha como objetivo assegurar um teto mínimo de 100 arrobas anuais na arrecadação do quinto¹. Se o teto não fosse atingido, os mineradores ficariam em dívida com o fisco. Na época, essa dívida coletiva chegou a 500 arrobas de ouro, ou 7.500 quilos. Com esta dívida ocorrendo no momento em que a cobrança da derrama estava em vigor, a população das minas era obrigada a entregar seus bens para integrar o valor da dívida.
O movimento foi denunciado pelos portugueses Joaquim Silvério dos Reis, Brito Malheiros e Correia Pamplona, em 5 de março de 1789. Devedores de grandes somas ao tesouro real, eles entregaram os parceiros em troca do perdão de suas dívidas. Em 10 de maio de 1789, Tiradentes é preso. Instaura-se a devassa – processo para estabelecer a culpa dos conspiradores –, que dura três anos. Em 18 de abril de 1792, são lavradas as sentenças: 11 são condenados à forca, os demais à prisão perpétua em exílio na África e ao açoite em praça pública. As sentenças dos sacerdotes envolvidos na conspiração permanecem secretas. Cláudio Manoel da Costa morre em sua cela. Tiradentes tem execução pública: enforcado no Rio de Janeiro em 21 de abril de 1792, seu corpo é levado para Vila Rica, onde é esquartejado e os pedaços expostos em vias públicas. Os demais conspiradores são deportados.
¹ O quinto era a retenção de 20% do ouro em pó ou folhetas que eram direcionadas diretamente a Coroa Portuguesa.
Curiosidade sobre a pintura (imagem): Tiradentes ficou preso no prédio da Cadeia Velha, na cidade do Rio de Janeiro. A cena retratada ocorreu na manhã do dia 21 de abril de 1792, quando Tiradentes apresenta-se ao carrasco para ser levado ao patíbulo onde será executado. O carrasco segura a alva, camisolão branco usado pelos condenados à morte. Veem-se, também, as figuras de dois religiosos, de oficiais e de soldados no recinto térreo da Cadeia Velha.

As primeiras civilizações - Download em PDF

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Claudio Calígula - Flash History

O imperador romano Calígula ainda é considerado um dos maiores vilões da humanidade. Como autoridade suprema, teria levado à degola cerca de 60 mil prisioneiros em três meses. Odiado pelo povo, ele se divertia torturando pessoas e insistia em ser venerado como um Deus vivo.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Malcolm X - Biografia


Al Hajj Malik Al-Shabazz, mais conhecido como Malcolm X (originalmente registrado Malcolm Little; Omaha19 de maio de 1925— Nova Iorque21 de fevereiro de 1965), foi um dos maiores defensores do Nacionalismo Negro nos Estados Unidos. Fundou a Organização para a Unidade Afro-Americana, de inspiração separatista. Defensor dos direitos dos afro-americanos, conseguiu mobilizar brancos e negros na conscientização sobre os crimes cometidos contra a população afro-americana. Em 1998, Paul Gray, da influente revista Time, colocou a Autobiografia de Malcolm X entre os 10 livros de não ficção mais importantes do século XX[1].
Malcolm X nasceu em Omaha, no estado de Nebraska, nos Estados Unidos. Com apenas seis anos, teve o seu pai, Earl Little, um dedicado trabalhador para UNIA (Associação Universal para o Progresso Negro) violentamente assassinado. Após um brutal espancamento, foi atirado aos trilhos de uma linha de comboio. Apesar do seu corpo ter sido quase dividido em dois, não morreu de imediato, falecendo em agonia, horas mais tarde.
Louise Little, mãe de Malcolm, aos 34 anos assumiu o sustento dos seus oito filhos. Por ter sido concebida do estupro de uma mulher negra por um homem branco, ela possuía pele clara e encontrava empregos domésticos. Os empregos duravam até descobrirem que ela era de origem negra. Louise também passou a receber dois cheques, sendo um pela pensão de viúva, outro da assistência social. Este dinheiro não era suficiente, e com seu desemprego frequente a família tornou-se praticamente indigente. As assistentes sociais do governo tentavam convencer Louise a encaminhar seus filhos para lares adoptivos, ao que ela se opunha. Posteriormente passaram a questionar sua sanidade mental. Louise passou por intensas pressões que a levaram a um colapso nervoso e a ser internada em um hospital para doentes mentais. Nessa altura, Malcolm já havia sido adotado e, em 1937, viu sua família ser separada.

Universidade das ruas

Na escola, Malcolm era o que se considerava um bom aluno e geralmente tirava notas altas. E assim foi até o dia em que disse a um professor que desejava ser advogado. Este lhe disse ser absurdo a ideia de um negro ser advogado e que o máximo que ele poderia chegar era carpinteiro. Esta declaração mudou seu comportamento fazendo com que se transformasse de um "bom aluno" em um "garoto problema". Quando terminou a oitava série, Malcolm foi morar em Boston na casa de sua meia-irmã Ella. Fez amizade com Shorty e por influencia deste e de outros boêmios de Boston ele esticou os cabelos, passou a beber, fumar, usar roupas extravagantes, jogar cartas, jogo dos números e aprendeu a dançar muito bem. Um efeito colateral do produto que Malcolm e outros usavam para esticar o cabelo era o de deixa lo vermelho. Sua melhor parceira era Laura, uma jovem negra que morava com a avó e sonhava formar-se na universidade. Ele a conheceu na sorveteria onde ela trabalhava e a namorou, levou-a aos bailes. Numa destas festas, a deixou por uma mulher branca chamada Sophia. Laura, no futuro próximo, cairia na prostituição. Malcolm confessou: “Umas das vergonhas que tenho carregado é o destino de Laura..., tê-la tratado da maneira como tratei por causa de uma mulher branca foi um golpe forte demais”. Malcolm entre outros empregos, a exemplo de engraxate, trabalhou na ferrovia. Nesse emprego ele conheceu vários lugares, entre eles o Harlem, lugar que ele passou a visitar sempre que podia. Nas noites do Harlem ele conheceu muita gente, entre os quais varios musicos (muito deles famosos) e criminosos. Ali, suas roupas de cores fortes e o cabelo esticado e vermelho chamavam a atenção naqueles ambientes mais sobrios e ele logo passou a ser conhecido por "Red". Apaixonado pelo Harlem ele resolve se mudar para lá. Alugou um apartamento onde várias das inquilinas eram prostitutas. Sophia ia de Boston para o Harlem visitá-lo. Algum tempo depois, Sophia casou com outra pessoa e manteve Malcolm como amante. No Harlem, Malcolm também morou na casa de Sammy, um amigo cafetão, e entrou para a “vida do crime”, tornou-se traficante. Aproveitou o bilhete que ganhou, quando trabalhou na ferrovia, e foi traficar nos trens. Estava cada dia mais difícil vender nas ruas, a polícia estava “fechando o cerco”, os artistas que conhecia – seus clientes – adoraram a ideia. Naquele tempo, temia três coisas: cadeia, emprego e o exército. Fingiu-se de louco para se livrar do serviço militar.
Depois do término das viagens traficando, perdeu a conta dos golpes que deu no Harlem. Não podia mais vender maconha, a polícia já o conhecia. Passou a praticar seus primeiros assaltos, e se preparava para esses trabalhos com drogas mais fortes. Era viciado no jogo dos números, quando ganhava, convidava Sophia para passar alguns dias em Nova York. Sua vida marginal levou-o a se meter em tantas encrencas no Harlem que acabou ficando num “beco sem saída”, estava “jurado de morte”. Sammy ligou para seu velho amigo Shorty vir buscá-lo, levá-lo de volta para Boston. Em Boston, foi morar com Shorty em seu apartamento. Quase todos os dias assim que o amigo saia para trabalhar, como saxofonista, Sophia encontrava-se com Malcolm, e ele arrancava-lhe todo o dinheiro. O marido de Sophia havia arrumado emprego de vendedor, e viajava constantemente.
Para sair da inatividade Malcolm propôs a Shorty que assaltassem casas. Formaram um grupo com a participação de Rudy, amigo de Shorty, Sophia e sua irmã. Sophia havia apresentado sua irmã para Shorty e os dois passaram a namorar. O primeiro trabalho foi um sucesso, e depois vieram outros e outros. “Todo ladrão espera o dia em que será apanhado”. Chegou o dia inevitável de Malcolm, Shorty e Sophia e sua irmã, somente Rudy conseguiu escapar. As duas mulheres tiveram penas reduzidas, pegaram de um a cinco anos. Malcolm disse: “Apesar de serem ladras eram brancas”. Quanto aos dois negros, seu próprio advogado de defesa confessou: “Vocês não deviam ter se metido com mulheres brancas”. Shorty pegou de oito a dez anos, e Malcolm onze anos.
Em sua auto biografia Malcolm revela que, nesse período da sua vida, nunca chegou a matar ninguém e que poderia tê-lo feito para escapar da policia.

A importância da leitura


Malcolm X em 1964
Na prisão por causa de sua atitude rebelde e antirreligiosa, Malcolm ficou conhecido como Satã. Philbert escreveu-lhe uma carta dizendo que descobrira a verdadeira religião do homem negro. Ele pertencia a Nação do Islã, Malcolm respondeu a carta com palavrões. Dias depois recebeu outra carta, desta vez escrita por seu irmão mais novo, Reginald: “Não coma carne de porco e pare de fumar que eu lhe mostrarei como sair da prisão”. Estas palavras ficaram em sua cabeça. Reginald sabia como funcionava a mente marginal do irmão, havia passado uma temporada com ele no Harlem. Quando foi visitá-lo Malcolm estava ansioso para saber como não comendo carne de porco livrar-se-ia da prisão. Afinal qual golpe havia tramado, e passou a ouvir Reginald falar sobre Elijah Muhammad. Seu irmão contou que: Alá viera para a América e se apresentou a um homem chamado Elijah – um homem negro – afirmando que o homem branco é o demônio.
A mente de Malcolm, involuntariamente, recordou todos os homens brancos que conheceu. Ao ir embora Reginald deixou seu irmão pensando, com seus primeiros pensamentos sérios. Malcolm pensou nos brancos que tinham internado sua mãe, os que tinham matado seu pai, os brancos que haviam destruído sua família, em seu professor branco que assegurou que: “é absurda a ideia um negro pensar em ser advogado”. Apesar de suas notas altas, Malcolm deveria ambicionar ser carpinteiro.
Quando Reginald voltou, viu o efeito que suas palavras haviam provocado em seu irmão, e falou mais sobre o demônio que é o homem branco. Seus outros irmãos também passaram a escrever, a falar sobre o honrado Elijah Muhammad. Todos recomendaram seus ensinamentos que classificavam como o verdadeiro conhecimento do homem negro. Malcolm titubeou, no entanto, acabou se convertendo ao islã, tornou-se muçulmano negro.
Graças aos esforços de Ella, Malcolm conseguiu ser transferido para uma prisão colônia de Norfolk que era de reabilitação profissional, muito melhor do que as outras por onde havia passado, e a biblioteca era um de seus elementos principais. Para responder as cartas, e se corresponder com Elijah Muhammad começou a ler muitos livros, tornou-se um leitor voraz, em seus anos de prisão, leu desde os clássicos aos mais populares.
Sobre os filósofos fez o seguinte comentário: “Conheço todos, não respeito nenhum”, disse também: “A prisão depois da universidade é o melhor lugar para uma pessoa ir, se ela estiver motivada, pode mudar sua vida”; “as pessoas não compreendem como toda a vida de um homem pode ser mudada por um único livro”. Além da leitura, copiou um dicionário inteiro para compreender melhor os livros.
Em 1952, Malcolm foi libertado e saiu em caravana para visitar o Templo Número Dois, como eram chamadas as mesquitas. Ele finalmente ia ouvir Elijah Muhammad que ao final de sua fala chamou Malcolm, pediu que ficasse em pé, e diante dos olhares de cerca de duzentos muçulmanos, contou uma parábola a seu respeito.
A partir de então, Malcolm passou a colaborar com Templo Número Um, ele participava da “pescaria” que era atrair os jovens, e se saia muito bem, afinal, conhecia a “linguagem dos guetos”. Recrutava nos bares, nos salões de bilhar e esquinas dos guetos, o Templo Número Um, de Detroit, em três meses triplicou o número de fiéis. Malcolm já havia recebido da Nação do Islã o seu “X” que significava seu verdadeiro nome de família africana que Deus lhe revelaria. Para ele o “X” substituía o Little, o pequeno, herança escravocrata.
No verão de 1953, Malcolm X foi nomeado ministro assistente do Templo Número Um e passou a frequentar a casa de Elijah Muhammad, onde era tratado como filho. Malcolm devido à sua fidelidade, inteligência, oratória, cultura, personalidade, obteve um desempenho extraordinário na Nação do Islã que resultou em uma ascensão meteórica. Em curto intervalo de tempo tornou-se o principal ministro de Muhammad, levando-o a ser transferido para o templo de Nova York – o mais importante.
Em meio a sua vida agitada, Malcolm passou a reparar em uma moça chamada Betty, o interesse era recíproco. Consultou Muhammad e casou em janeiro de 1958. Mal se casou, e Malcolm estava, em toda parte, trabalhando pelo crescimento da Nação do Islã. Em suas polêmicas diárias o que mais o irritava, eram certos líderes negros os quais acusava que: “suas organizações tinham corpo negro com cabeça branca”.

Elogio e traição

Malcolm fundou um jornal chamado “Muhammad Fala” que levou revistas mensais a darem reportagens de capa sobre os muçulmanos negros. Não demorou muito para que Malcolm fosse convidado para participar de mesas redondas de rádio, televisão e universidades, entre elas Harvard, para defender a Nação do Islã, enfrentando intelectuais negros e brancos.
Elijah Muhammad disse para Malcolm: “Quero que você se torne muito conhecido, pois você se tornando conhecido, também me tornará conhecido”. Malcolm tornou-se realmente conhecido, tornou-se uma personalidade americana que muitas vezes chamou a atenção do cenário mundial, mais do que Martin Luther King e o presidente John F. Kennedy.
O seu destaque gerou ciúmes no próprio Elijah que não possuía a coragem e perspicácia de Malcolm para discutir, por exemplo, com professores universitários. A intensa exposição e repercussão da figura de Malcolm X contribuíram para alimentar entre os enciumados muçulmanos negros o boato que ele tentaria tomar o controle da Nação do Islã.
Duas antigas secretárias de Muhammad entraram com processo de paternidade. Malcolm ao conversar com elas descobriu que enquanto Elijah Muhammad o elogiava pela frente, tentava destruí-lo pelas costas, e aguardava o momento oportuno para afastá-lo. A morte de John Kennedy e a declaração polêmica de Malcolm a respeito foi o ensejo. Perguntado sobre a morte de Kennedy, ele respondeu com ironia: “As galinhas voltam para dormir em casa”, um ditado americano cujo significado se parece com o do nosso “Aqui se faz, aqui se paga”. Ou seja, Malcolm insinuou que Kennedy morreu por conseqüência de seus próprios atos, porque falhou ao combater a violência nos Estados Unidos. A declaração foi mal recebida, inclusive pela população negra, que se voltou contra a Nação do Islã. Irritado, Elijah ordenou que Malcolm se calasse por 90 dias.
Ele que tanto se dedicou e com certeza foi uns dos principais (senão o principal responsável) pelo crescimento da Nação do Islã, foi afastado. Malcolm, em seu trabalho árduo, praticamente não adquiriu bens materiais. Bens que poderiam gerar algum conforto à sua família, no caso de sua falta. Sempre acreditou que, se alguma fatalidade lhe ocorresse, os muçulmanos negros cuidariam de sua família.
Malcolm ficou sabendo do seu banimento através da imprensa. Sofreu humilhações públicas com manchetes como: “Malcolm silenciado”. Os muçulmanos negros também conspiraram para que ele fosse considerado traidor, a punição para a traição é o ostracismo e a morte.

Viagem a Meca

Patrocinado pela sua meia-irmã Ella, Malcolm viajou para Meca com o objetivo de conhecer melhor o Islã. Agora admitia que Elijah Muhammad havia deturpado esta religião nos Estados Unidos. Ao voltar de sua viagem, estava para iniciar uma nova fase em sua vida. Em uma entrevista coletiva, perguntaram-lhe: “Você ainda acredita que os brancos são demônios?” E ele respondeu: “Os brancos são seres humanos na medida em que isto for confirmado em suas atitudes em relação aos negros”.
Movido por suas novas ideias, Malcolm fundou a Organização da Unidade Afro-Americana: grupo não religioso e não sectário – criado para unir os afro-americanos. Contudo, em 21 de fevereiro de 1965, na sede de sua organização, Malcolm recebeu 16 tiros de balas de calibre 38 e 45, com a maioria deles a atingi-lo no coração. Malcolm foi assassinado – com apenas 39 anos – em frente de sua esposa Betty, que estava grávida, e de suas quatro filhas, por três membros da Nação do Islão. Escreveu MS Handler: “Balas fatais acabaram com a carreira de Malcolm X antes que ele tivesse tempo para desenvolver suas novas ideias”.

Cronologia[editar | editar código-fonte]


Mensagem a Grass Roots


Malcolm X numa Conferência em 1964.
Dentre as preleções proferidas por Malcolm X, a mensagem a Grass Roots, proferida em 10 de novembro de 1963 durante aNorthern Negro Grass Roots Leadership Conference, na Igreja Batista Rei Salomão de DetroitMichigan,[2] foi ranqueada em 91º lugar dentre os 100 maiores discursos estadunidenses do século XX, numa pesquisa feita entre 137 estudiosos do país.[3]
Nesta fala, Malcolm descreve a diferença entre a "revolução Black" e a "revolução do Negro", acentuando o contraste entre o "negro da casa" e o "negro do campo" durante a escravidão africana e nos tempos contemporâneos, criticando a Marcha sobre Washingtondaquele ano.

Importância histórica de Malcolm X


Malcolm X com o outro importante ativista americano Martin Luther King Jr..
Malcolm X conduziu uma parte do movimento negro nas décadas de 50 e 60, defendendo três pontos fundamentais:
  • O islamismo;
  • A violência como método para autodefesa e;
  • O socialismo
Apesar da religião ter sido a porta de entrada para Malcolm X perceber todos os problemas sociais enfrentados pelos negros, pouco a pouco, ele percebeu a questão do negro não era uma questão apenas de carácter teológico, mas sim, uma questãopolítica, econômica e civil. Foi a partir daí que os meios de comunicação exploraram suas declarações mais ácidas. Malcolm percebeu que a violência não era uma forma de barbárie, mas um meio legítimo de conquistas, pois todas as mudanças históricas se deram de maneira violenta. A violência proposta era, portanto, uma metodologia de transformação e não uma barbárie gratuita.
socialismo de Malcolm foi consequência da evolução de seu pensamento. Após ser traído por membros da Mesquita Templo Número Dois, gradativamente percebeu que a questão do negro passava pela estrutura do capitalismo. Desta nova forma de pensar surgiu a Organização da Unidade Afro-Americana, um grupo não religioso e não sectário, focado nos problemas sociais das minorias na sociedade capitalista americana. A sua opção pela violência e pelo socialismo foi de vital importância para os rumos que os movimentos negros tomaram ao fim da década de 60, tal como os "Panteras Negras", também partidários da violência enquanto método e do socialismo enquanto ideologia política.

FILME:

Ficha Técnica
Título Original: Malcolm X
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 192 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1992
Direção: Spike Lee

Dirigido por Spike Lee, o Filme Malcolm X é um retrato da vida pública e pessoal de uma das mais importantes figuras do movimento negro norte americano. Ao longo da trajetória de Malcolm X acompanhamos também o desenvolvimento do movimento negro na luta por seus direitos civis e na reafirmação de sua cultura.
Malcolm Little, ou Red, como era conhecido quando rapaz, cresceu em Boston e lá viveu a sua juventude, junto com Shorty, um de seus melhores amigos. Como a grande maioria dos jovens de seu período, embalados pela euforia dos anos 40 e 50, Malcolm é adaptado ao American Way of Life, o estilo norte americano de se vestir, comportar e pensar.
Entretanto, negro e pertencente a uma camada pobre da sociedade, Malcolm vai aos poucos se desiludindo com essa ideologia do consumo que permite apenas às classes superiores a satisfação de seus desejos e necessidades e ingressa na gangue de Archie, um famoso gangster do mundo dos jogos. Revoltado com sua condição, Red se torna uma pessoa cada vez mais violenta. Após um desentendimento com Archie, Malcolm foge para outra cidade e inicia, sozinho, uma nova vida de crimes até ser preso. E é na prisão que a vida de Malcolm mudará definitivamente.
Após adotar o islamismo e aprender com Baines o jogo de dominação entre negros e brancos, no qual os brancos submetem os negros a uma vida de pobreza e exploração, o jovem, agora renomeado Malcolm X passa a negar todos os valores da sociedade branca. Apoiado na idéia de que o islamismo poderia ajudar na formação de uma nação negra independente, Malcolm inicia a sua luta pela causa negra. Baseado nas idéias de Elijah Muhammad, o líder espiritual do islã nos Estados Unidos, Malcolm passa a cuidar da proliferação da palavra divina para a emancipação da comunidade negra que se encontrava dividida e dispersa, preocupada em trabalhar para sobreviver.
Com seu talento único como pregador e seu carisma, ele reuniu fiéis e interessados e em pouco tempo sob a bandeira levantada por Elijah Muhammad, Malcolm passou a liderar uma comunidade de seguidores. Mas Malcolm não era apenas um homem de palavras. Além da liderança espiritual, coordenava ações contra as autoridades policiais. A cada companheiro preso injustamente, Malcolm organizava protestos e manifestações, aumentando cada vez mais a sua popularidade na comunidade negra.
A palavra de ordem era segregação: diferentemente de Martin Luther King, que pregava a integração entre brancos e negros sem preconceitos, Malcolm defendia a total separação de negros e brancos, a supremacia negra. Conhecido por sua radicalidade, este movimento ocupou durante um bom tempo as páginas da mídia. Mas não só de união viveu este movimento. Após investigar denúncias contra Elijah Muhammad, Malcolm é afastado da liderança do movimento Nação do Islã.
Confuso e desacreditado, o líder sai em uma peregrinação espiritual rumo a Meca, da qual volta com novas idéias. A partir de então, Malcolm começa a acreditar na convivência entre brancos e negros, desde que as relações de dominação sejam extintas e a cultura negra possa prevalecer mesmo dentro do solo americano. Com a profusão destas novas idéias, Malcolm atrai mais ainda a ira de seus antigos companheiros de causa e acaba assassinado, aos 40 anos. Esse filme, baseado na biografia pessoal de Malcolm X, serve de importante registro sobre o racismo e o movimento negro. Vemos que, antes dos movimentos de emancipação, existiam poucos lugares para o negro.
Culturalmente falando, o sistema escravista permanecia, reservando o papel de fugitivo, submisso ou malandro/marginal como os únicos meios do negro se inserir na sociedade. Esses três aspectos estão bem representados no começo do filme, o primeiro pelo pai de Malcolm que, como pastor, prega pela impossibilidade dos negros morarem na América, chamando-os a ir de volta para África; o segundo pelas pessoas de mais idade, acostumadas e submissas, e pela juventude, que reproduz a cultura de dominação e o terceiro pela figura de Malcolm e Shorty, que partem para o crime como meio de sobreviver e enriquecer.
O filme discute também a questão do racismo. Presente nos dois lados, o ódio racial, conseqüente de um grande processo de opressão e divisão cultural, tem como resultado a violência e morte. Por ser complexa, essa atitude de ódio mútuo só se transforma com a evolução das questões culturais e pelo processo de convivência, representado pela ida de Malcolm à Meca.
Os jovens, representados neste filme tanto por Malcolm no início de sua luta quanto por muitos de seus seguidores, são mostrados aqui com a força de sua radicalidade – superadas depois com o seu amadurecimento e o aumento de sua tolerância. Esta radicalidade, mais que fruto das idéias de Elijah Muhammad, é também fruto de sua juventude, de sua rebeldia contra o mundo. Lutar a favor dos direitos dos negros é garantir, para estas moças e rapazes, o seu lugar no mundo, conquistar seu espaço na sociedade, um futuro diferente daquela realidade de dominação e intolerância vivida por eles.
Por fim, Spike Lee nos trás uma mensagem redentora. A morte de Malcolm X pela causa negra o torna um mártir, símbolo dos direitos civis e da emancipação cultural e social. Seu legado de luta está presente até hoje em todo aquele que conhece e segue a história do movimento negro. Mais do que isso, ele está nas escolas, ensinando à juventude que todos temos direitos como cidadãos.

Trailler


O massacre da Etiópia pela Itália de Mussolini.

A Guerra do Paraguai ! - Documentário.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Um joinha do imperador salvaria sua vida !


O prisioneiro voluntário !

O homem que se deixou prender em Auschwitz só para saber o que se passava lá !

Esse é Witold Pilecki. Ele nasceu na Polônia em 1901 e parte da cavalaria. Durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial, ele fundou o Exército Secreto Polonês, um grupo de resistência. Mais tarde, ele foi VOLUNTÁRIO para ser capturado e enviado a Auschwitz para coletar informações sobre o campo, fugir e reportar aos Aliados.

Depois de quase dois anos e meio preso no campo, ele fugiu. Foi graças ao seu relatório que o mundo ficou sabendo, pela primeira vez e baseado em relatos confiáveis, sobre o que se passava em Auschwitz.

Em 1948, já terminada a guerra, ele foi executado por Stalin,( O Idolo do PCdoB ) acusado de estar trabalhando no interesse do “imperialismo estrangeiro”. Até 1989, quando a URSS começou a desmoronar, qualquer relato sobre seus atos de heroísmo eram censurados na Polônia.

Egito, em busca da eternidade . Documentário.

Fantástico e rigoroso documentário da National  Geographic de 1983 ,que desvenda os mistérios dos grandes monumentos do Egito, como as pirâmides de Gisé, templos de Luxor , o templo de Ramsés II dentre outros.








Anacronismo, o pecado mortal do historiador

Segundo o historiador francês Lucien Fèbvre, o anacronismo é “le péché des péchés, le péché entre tous irrémissible”(o pecado dos pecados, o mais imperdoável dos pecados) que pode cometer um historiador. Com essa afirmação, que se tornou axiomática, Fèbvre – fundador, com Marc Bloch, da famosa “Revue des Annales”, que a partir de 1929 renovou os estudos históricos em todo o Ocidente – apontou o que talvez seja, realmente, o maior perigo que ameaça o nosso ofício.
O anacronismo pode se manifestar quando estudamos determinado período histórico e, sem nos darmos conta disso, imaginamos os personagens daquele período como tendo conhecimentos, valores, modos de agir e de pensar da nossa época, ou de outras épocas históricas. Dessa projeção subconsciente decorrem erros de interpretação que podem alterar a fundo a objetividade do trabalho de análise.
O anacronismo pode se manifestar na utilização de palavras ou expressões fora do seu tempo. Por exemplo, quando lemos um romance ambientado na Idade Média e um personagem utiliza a expressão “ovo-de-colombo”; ou quando, num filme hollywoodiano, vemos fileiras de arqueiros da Roma Antiga dispararem suas flechas à voz de comando do seu chefe, que brada alto e bom som “Fire!”…
Às vezes, o anacronismo é bem sutil e difícil de ser detectado. Um historiador que examine uma carta escrita por um personagem histórico de quinze anos, do século XVIII, facilmente pode ser levado a imaginá-lo com as características que têm hoje os adolescentes dessa faixa de idade, sem considerar que o fenômeno que hoje conhecemos como “crise da adolescência” é recente na História e simplesmente inexistia na sociedade patriarcal e tradicional de antigamente.
Outro exemplo, ainda: no passado havia, obviamente, atração sexual e esse fator influenciava, como não podia deixar de ser, as escolhas matrimoniais; mas não havia algo que somente se generalizou no mundo nos dois últimos séculos, a partir do movimento romântico, que é o “casamento por amor”. O casamento, até princípios do século XIX, era pragmaticamente visto como um contrato em que, mais do que duas pessoas, uniam-se duas famílias. A atração física também entrava, entre muitos outros elementos, mas a mera atração sentimental geralmente não tinha grande papel na escolha. Em romances históricos e filmes, entretanto, é comum vermos, em personagens antigos, modelos românticos perfeitamente anacrônicos.
Outro exemplo de anacronismo temos em historiadores marxistas que, ao escreverem sobre a Idade Média, valorizam em demasia os aspectos econômicos e menosprezam as motivações religiosas das pessoas. De fato, a religião ocupava, na vida dos medievais, um papel muito mais marcante do que em nossos tempos de laicismo e indiferentismo religioso. O próprio Marx, aliás, já recomendava cautela a discípulos seus que, sem maiores reflexões, queriam aplicar a sociedades pré-capitalistas as regras do materialismo dialético.
São frequentes os anacronismos em livros de história, em obras de ficção e, sobretudo, em filmes e seriados televisivos aclimatados em ambientes históricos do passado. Exercício sempre interessante e culturalmente enriquecedor é procurar exemplos de anacronismo. No premiado filme “O Gladiador”, aparecem catapultas inexistentes na época e um cachorro de uma raça que somente existiria séculos depois. E disseram-me (não cheguei a reparar nesse pormenor) que, a certa altura, um romano, que assistia às lutas dos gladiadores, consultou as horas… no seu relógio de pulso! No filme brasileiro “Guerra de Canudos”, a atriz Marieta Severo representou – aliás, muito bem – o papel de uma sertaneja que luta em Canudos… com as sobrancelhas cuidadosamente trabalhadas e bem delineadas, como se tivesse acabado de sair de um salão de beleza!